Em que pesem as exigências nutricionais de búfalos não estarem muito bem definidas para os diferentes sistemas de produção, finalidades das explorações, condições fisiológicas e níveis produtivos, etc. necessitamos no dia-a-dia estabelecer dietas para o rebanho a fim de buscar que os animais expressem seu potencial  de produção.

Procurando simplificar as recomendações, limitando a aferição da oferta de proteínas brutas e energia da dieta em função, estimando-se a ingestão de matéria seca baseado na recomendação dos autores italianos  para uma búfala com cerca de 650 kg produzindo leite com cerca de 7% de gorduras e 4,2% de PB (média de trabalhos com búfalas no Brasil).

Exemplificando, uma búfala produzindo 10 litros de leite por dia demandaria:
Matéria Seca:  (11.700 g) + ( 10 x 400g) = 15.700 g/d
NDT: (4.100 g ) + (10 x 600g) = 10.100 g/d
PB:  (600g) + (10 x 135g) = 1.950 g/d

Observa-se que o consumo diário de matéria seca relativamente ao peso corporal seria de 2,4%. Quanto aos componentes nutricionais, a concentração  relativa da dieta seria NDT= 10.100/15.700 = 64,3 % NDT e PB= 1.950/15.700= 12,4% .

Sistemas baseados em pastagens tropicais, usualmente tem seu consumo limitado pelo maior teor de fibras e representam dificuldade adicional para o arraçoamento tendo em vista que  a qualidade/quantidade disponível varia constantemente durante o ano, mesmo numa mesma propriedade em função das condições climáticas, estágios fisiológicos das forrageiras, carga animal e, do lado da demanda, da necessidade em função do estágio da lactação, da concentração de sólidos no leite, maturidade do animal, condição corporal, composição social do lote, etc.

De uma maneira geral, pastagens tropicais possuem teores de PB entre 5 e 15% e NDT entre 40-55 % o que limita a ingestão de nutrientes necessários para níveis produtivos médios superiores  a 7-8 litros durante o período de lactação quando alimentadas exclusivamente a pasto e necessidade de ajustes na dieta e/ou no manejo da pastagem para se atingir maiores produções.

Além da variação na produção leiteira, as búfalas relativamente aos bovinos tem uma maior capacidade de ajustar a composição do leite produzido em função da oferta nutricional e, nem sempre um stress nutricional se reflete em variação na produção. Por outro lado, temos visto que, após quedas na produção resultantes de limitação de ingestão de nutrientes, nem sempre resultam em retorno do volume produzido. (por vezes há ajuste na concentração de sólidos do leite e mesmo ganho de peso corporal sem aumento de volume de leite produzido).

De forma prática, procuramos ajustar a dieta com base na produção média conhecida do rebanho acrescida de cerca de 10%. Trabalhos sugerem que o arraçoamento constante durante a lactação tem respostas melhores do que o ajuste da dieta a cada novo controle leiteiro. Acompanhamos a  produção leiteira e o estado corporal (e se possível a composição do leite) como forma de aferir o ajuste da dieta e estimar a composição colhida da pastagem (ou volumosos conservado) o que é feito baseado na estimativa de que a perda de 1 kg de peso do animal fornece a ele 2,7 kg de NDT e 350 g de PB e, em situação inversa, para ganho de 1 kg de peso corporal, a búfala demanda cerca de 3,6 kg de NDT e 500 g de PB.

Nas situações de ganho ou perda de peso, estimam os autores indianos que o animal deva consumir diariamente cerca de 5 kg de MS para cada 1 kg de ganho de peso corporal diário.

O arraçoamento, como bem  destaca o Prof. Luigi Zicarelli, não se resume à aplicação de tabelas gerais de exigências, mas sim, partir delas para, avaliando a resposta dos animais, ajustá-las à realidade.

2 respostas a “Dieta de búfalas em lactação – modelo simplificado”

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