{"id":79,"date":"2005-05-25T12:54:00","date_gmt":"2005-05-25T15:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=79"},"modified":"2019-12-27T12:58:16","modified_gmt":"2019-12-27T14:58:16","slug":"bufalos-sustentaveis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=79","title":{"rendered":"B\u00fafalos sustent\u00e1veis"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 comum que medidas \u201cher\u00f3icas\u201d adotadas diante de certos extremismos acabem ocasionando posi\u00e7\u00f5es extremas e apenas ap\u00f3s muito tempo se imponha um equil\u00edbrio menos apaixonado e mais racional garantindo uma conviv\u00eancia mais harm\u00f4nica entre tais extremos.<br> Assim ocorreu, por exemplo, nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, passando-se de uma rela\u00e7\u00e3o quase de escravagismo, para um controle total sobre quaisquer aspectos desta rela\u00e7\u00e3o pela \u201cLei\u201d, ou mesmo nas rela\u00e7\u00f5es de consumo em que um dos lados \u00e9 na atualidade legalmente um \u201cvil\u00e3o\u201d at\u00e9 prova em contr\u00e1rio. Mais recentemente, quando a preocupa\u00e7\u00e3o sobre a conserva\u00e7\u00e3o ambiental se amplia, nota-se uma tend\u00eancia muito grande na radicaliza\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, criando-se por vezes conflitos artificiais entre produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o (antes, preserva\u00e7\u00e3o), nos confusos e incompletos regulamentos sobre a interven\u00e7\u00e3o do homem no meio ambiente, com a cria\u00e7\u00e3o de conceitos ainda pouco claros e universais tais como a t\u00e3o propalada \u201csustentabilidade\u201d que parece ter um sem n\u00famero de defini\u00e7\u00f5es. \u00c9 crescente a ideia, em grupos muito bem organizados e influentes, apesar de nem sempre assim t\u00e3o representativos, de que qualquer interven\u00e7\u00e3o humana sobre o ambiente \u00e9 delet\u00e9ria e que sistemas de produ\u00e7\u00e3o em escala s\u00e3o totalmente incompat\u00edveis com a vida e sustenta\u00e7\u00e3o da humanidade, e assim, toda a\u00e7\u00e3o deveria ser feita na dire\u00e7\u00e3o de restaurar o ambiente a seu estado primitivo, com as chamadas esp\u00e9cies nativas, e preferencialmente, dali retirando o homem.<br> Nesta \u00e9poca de \u201cacomoda\u00e7\u00f5es de id\u00e9ias\u201d, creio ser de import\u00e2ncia que se busquem pontos da mesma forma que os contrapontos, sem o que, sairemos do campo da discuss\u00e3o para o campo unicamente da f\u00e9, o que certamente pouco contribui para a evolu\u00e7\u00e3o.<br> Acompanhamos a ocorr\u00eancia da autoriza\u00e7\u00e3o do IBAMA para a \u201cca\u00e7a\u201d de b\u00fafalos abandonados pelo governo no Vale do Guapor\u00e9 muitos anos atr\u00e1s e que, por sua melhor adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente e falta de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, passaram a se multiplicar e a competir com esp\u00e9cies nativas na busca de alimentos, em detrimento destas \u00faltimas. Tivemos a oferta de criadores do Par\u00e1 de tentar a domestica\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de parte destes animais para outras regi\u00f5es onde poderiam ser base de sustenta\u00e7\u00e3o de atividades economicamente relevantes. Confesso que n\u00e3o sei bem qual foi o desfecho (a n\u00e3o ser a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de estudo regiamente financiado pelo MMA). Uma coisa, por\u00e9m \u00e9 certa, o \u201cestrago\u201d na imagem da esp\u00e9cie que apareceu como uma \u201cpredadora\u201d e inimiga do meio ambiente foi feito, e com grande publicidade. As contesta\u00e7\u00f5es t\u00eam pouco apelo de m\u00eddia, e seu eco foi pouco difundido.<br> Outro, \u00e9 o caso da atua\u00e7\u00e3o da ONG denominada SPVS que, financiada por empresas petrol\u00edfera, automobil\u00edstica e de energia americanas, entre outras, tem literalmente \u201ccomprado\u201d fazendas no litoral do Paran\u00e1, algumas com cria\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos, uma atividade que vinha sendo incentivada pelo governo daquele Estado que entendia ser aquela uma op\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social da regi\u00e3o, e que, ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o, tem sido desativadas e os animais sacrificados sumariamente (a despeito de que poderiam ser transferidos para outras regi\u00f5es, haja visto haver demanda para tanto), e busca a ONG regenerar a mata a seu estado natural. H\u00e1 alguns programas paralelos visando \u201creadaptar\u201d a popula\u00e7\u00e3o local para que viva de maneira \u201csustent\u00e1vel\u201d (ao menos para a natureza original, n\u00e3o sei se para a popula\u00e7\u00e3o que sempre ali viveu em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias) atrav\u00e9s de uma atividade dita extrativista florestal, mas sem depred\u00e1-la como antes se fazia com o palmito e a lenha. A contrapartida dos financiadores ser\u00e1 logicamente os tais \u201ccr\u00e9ditos de carbono\u201d gerados, o que lhes permitir\u00e1 continuar poluindo o planeta e sendo indiretamente propriet\u00e1rios de florestas brasileiras com direito at\u00e9 mesmo a pr\u00eamios internacionais de benem\u00e9ritos do meio ambiente.<br> Situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas t\u00eam sido vistas no Amap\u00e1, no Maranh\u00e3o e no Amazonas, que, direta ou indiretamente vem arranhando a imagem da bubalinocultura enquanto atividade sustent\u00e1vel ambientalmente. Que a esp\u00e9cie \u00e9 ex\u00f3tica no pa\u00eds, n\u00e3o se discute. Ali\u00e1s, o maior mam\u00edfero \u201cnativo\u201d \u00e9 a anta, o que significa que bovinos, muares, equinos etc. s\u00e3o todos ex\u00f3ticos. Da mesma forma o caf\u00e9, a soja, centenas de variedades de frutas e culturas tamb\u00e9m o s\u00e3o, o que absolutamente n\u00e3o significa que s\u00e3o incompat\u00edveis com a natureza. Sua forma de explora\u00e7\u00e3o, esta sim, \u00e9 que ir\u00e1 defini-la. Diante de um quadro como este, me parece bastante oportuno apresentar uma experi\u00eancia realizada em Israel (dispon\u00edvel no site: http:\/\/www.migal.org.il\/ lifeabs.html) sobre o projeto denominado PROJECT N\u00ba: LIFE TCY\/97\/1L\/O38 &#8211; Restoration and Conservation of Fauna and Flora in the Re-Flooded Hula Wetland in Northern Israel.<br> Naquele pa\u00eds havia uma v\u00e1rzea (Hula Valley) que foi drenada para uso em agricultura e erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria. Apesar de bastante f\u00e9rtil, seu uso intensivo acabou por promover uma deteriora\u00e7\u00e3o do solo e comprometimento das \u00e1guas do lago Kinneret, principal fonte de abastecimento de \u00e1gua de Israel, o que resultou, em 1994 na implementa\u00e7\u00e3o de um projeto de recupera\u00e7\u00e3o da v\u00e1rzea a sua antiga condi\u00e7\u00e3o. Dentre outras a\u00e7\u00f5es, foram re-introduzidos na \u00e1rea cervos, aves, esp\u00e9cies vegetais (algumas n\u00e3o nativas). Chama a aten\u00e7\u00e3o a observa\u00e7\u00e3o de que, para controle de plantas invasoras, foram introduzidos b\u00fafalos na \u00e1rea (0,22 a 0,33 por hectare) que acabaram por induzir um vigoroso \u201cstand\u201d de pastagens, e estabilidade da vegeta\u00e7\u00e3o, mostrando-se assim, na vis\u00e3o dos autores, bastante \u00fateis na conserva\u00e7\u00e3o ambiental daquelas v\u00e1rzeas.<br><br>Artigo originalmente publicado no Boletim do B\u00fafalos n\u00ba 2 &#8211; 2005-ABCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum que medidas \u201cher\u00f3icas\u201d adotadas diante de certos extremismos acabem ocasionando posi\u00e7\u00f5es extremas e apenas ap\u00f3s muito tempo se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79"}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=79"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79\/revisions\/80"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=79"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=79"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=79"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}