{"id":272,"date":"2020-08-08T10:57:26","date_gmt":"2020-08-08T13:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=272"},"modified":"2020-08-08T13:18:18","modified_gmt":"2020-08-08T16:18:18","slug":"mercado-de-carne-de-bufalos-consideracoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=272","title":{"rendered":"Mercado de carne de b\u00fafalos &#8211; considera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>XVI Expo Oto\u00f1o \u2013Corrientes-Argentina (23\/04\/2016)<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil e em boa propor\u00e7\u00e3o em toda a Am\u00e9rica, a maior parte dos bubalinos \u00e9 destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carne. Optou-se como forma de inser\u00e7\u00e3o no mercado, dada a similaridade anat\u00f4mica com a esp\u00e9cie bovina a de se utilizar da mesma cadeia comercial desta \u00faltima no que se refere ao abate, processamento e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria, da mesma forma que os produtores, a fim de evitar maiores investimentos com promo\u00e7\u00e3o, desenvolvimento de embalagens e diferencia\u00e7\u00e3o de um produto com uma escala pequena, irregular e sem padr\u00e3o bem estabelecido, igualmente optou por misturar a pequena produ\u00e7\u00e3o de bubalinos \u00e0 de bovinos. Na aquisi\u00e7\u00e3o de animais da esp\u00e9cie bubalina, tomam por base o menor rendimento de carca\u00e7a da maioria dos bubalinos, bem como pela maior dificuldade de distribui\u00e7\u00e3o de subprodutos como o couro, para promover uma penaliza\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o do animal, seja em p\u00e9, seja na carca\u00e7a.<\/p>\n<p>Com a falta de diferencia\u00e7\u00e3o, em que pese a potencial boa qualidade do produto, permanece a carne bubalina desconhecida da maioria dos consumidores que, desta forma, n\u00e3o exercem press\u00e3o de demanda junto aos distribuidores e frigor\u00edficos.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es, algumas iniciativas foram e vem sendo adotadas no sentido de promover o produto junto ao consumidor, com relativo sucesso, mas permanece na grande maioria das regi\u00f5es uma rela\u00e7\u00e3o conflituosa entre produtores e frigor\u00edficos.<\/p>\n<p>No sentido, buscamos apresentar elementos que possam colaborar com uma melhor compreens\u00e3o do posicionamento da carne desta esp\u00e9cie no que se refere \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o no mercado mundial, suas qualidades intr\u00ednsecas, sobre demandas do mercado consumidor relativas ao tipo de produto que consomem, de elementos que interferem na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de produtos c\u00e1rnicos, bem como de formas de organiza\u00e7\u00e3o de algumas cadeias, sem a pretens\u00e3o de apontar para respostas corretas mas, talvez, procurar ajudar a formular as perguntas adequadas.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o a seguir foi efetuada durante a XVI Expo-Oto\u00f1o realizada em Corrientes-Argentina em abril\/2016 sob forma de \u201cslides\u201d em Power Point que reproduzimos a seguir, acompanhados de alguns coment\u00e1rios sobre os mesmos (que fizemos rapidamente, sem uma revis\u00e3o mais acurada).<\/p>\n<p><strong>Demanda e Mercado de carne bubalina<\/strong><\/p>\n<p>Em 2008, os cerca de 180 milh\u00f5es de bubalinos representavam segundo a FAO, 12% da popula\u00e7\u00e3o de bov\u00eddeos do mundo e, enquanto os bovinos cresceram 11% entre 1980 e 2008, os bubalinos neste mesmo per\u00edodo aumentaram 49% .<\/p>\n<p>O consumo de derivados animais \u00e9 crescente, conforme se verifica na tabela abaixo, com dados da FAO.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-270 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab1-1-300x130.jpg\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"256\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab1-1-300x130.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab1-1.jpg 568w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/p>\n<p>Importante destacar que os pa\u00edses com crescimento econ\u00f4mico mais acelerado, como os chamados BRICs, apresentaram um aumento de consumo de todos os derivados animais num ritmo muito superior do resto do mundo, caracter\u00edstica que se observara no passado com os chamados \u201cTigres Asi\u00e1ticos\u201d que entre 1970-1990, quando apresentavam elevadas taxas de crescimento do PIB elevaram seu consumo de derivados de forma similar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-264 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab2-300x116.jpg\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"238\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab2-300x116.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab2.jpg 596w\" sizes=\"(max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/p>\n<p>Estima-se que at\u00e9 2030 a classe m\u00e9dia no mundo, particularmente em fun\u00e7\u00e3o do atual ritmo de crescimento de pa\u00edses de maior popula\u00e7\u00e3o, deve se elevar de 2 bilh\u00f5es de pessoas em 2012 para 4,9 bilh\u00f5es e, somente a classe m\u00e9dia nos pa\u00edses asi\u00e1ticos dever\u00e3o, segundo estimativa da OECD, elevar seus gastos de US$ 4,8 bilh\u00f5es em 2012 para US$ 32,6 bilh\u00f5es em 2030 o que projeta pois para uma elevada demanda de produtos de origem animal que teria predominantemente distribu\u00edda na \u00c1sia continental, Sudeste Asi\u00e1tico, Oriente M\u00e9dio, Norte da \u00c1frica e \u00c1frica Setentrional, al\u00e9m da Am\u00e9rica Central e pa\u00edses andinos, conforme se verifica no mapa abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-235 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig1-300x189.jpg\" alt=\"\" width=\"538\" height=\"339\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig1-300x189.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig1.jpg 596w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><\/p>\n<p>Buscando atender esta demanda elevada, a \u00cdndia particularmente a partir de 2010 elevou substancialmente sua produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de carne que, em fun\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es culturais que restringem o abate de bovinos, \u00e9 representada exclusivamente por carne de bubalinos, destacando-se que, parte da popula\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds, os cerca de 177 milh\u00f5es de mu\u00e7ulmanos passaram tamb\u00e9m a aumentar seu consumo de carne de b\u00fafalos naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-257 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf1-300x227.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"315\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf1-300x227.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf1.jpg 418w\" sizes=\"(max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/p>\n<p>Desta forma, a \u00cdndia, a partir de 2013 ultrapassou as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras se tornando o maior exportador de carne bov\u00eddea do mundo e o destino destas, conforme se verifica nas \u00e1reas destacadas no mapa abaixo, atendem a demanda aumentada dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, do oriente m\u00e9dio e da \u00c1frica sendo que estes mercados representam apenas 22% do mercado brasileiro e 4% do mercado americano, ou seja, a \u00cdndia vem absorvendo a maior parte da nova demanda por carne no mundo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-236 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"417\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig2-300x169.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig2.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Abaixo uma imagem extra\u00edda de um site de uma empresa exportadora indiana, onde se destaca que associam a imagem a carne de b\u00fafalo exportada com um produto nutritivo; a uma aus\u00eancia de risco (provavelmente se referindo tanto \u00e0 n\u00e3o ocorr\u00eancia na esp\u00e9cie de doen\u00e7a da vaca louca quanto a reduzir uma eventual imagem negativa sobre a sanidade naquele pa\u00eds), e ao fato de ser \u201cbarata\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-237 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig3-300x130.jpg\" alt=\"\" width=\"552\" height=\"239\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig3-300x130.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig3.jpg 572w\" sizes=\"(max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/p>\n<p>Destaque-se, como evidenciado na embalagem \u00e0 direita, que buscam ainda atender ao mercado mu\u00e7ulmano, no caso de Angola, com um abate Halal (apesar da marca Ci-Vaca, logo abaixo se destaca tratar-se de \u201cbuffalo meat\u201d)<\/p>\n<p>Verificou-se em 2013, que nos \u00faltimos 4 anos, houve um aumento de 10% nas exporta\u00e7\u00f5es de carne no mundo, sendo que, no mesmo per\u00edodo, as exporta\u00e7\u00f5es da \u00cdndia cresceram 43% sendo que por\u00e9m, o pre\u00e7o m\u00e9dio da carne (exceto \u00cdndia), forma em m\u00e9dia de US$ 2,24\/lb, enquanto que o pre\u00e7o m\u00e9dio das exporta\u00e7\u00f5es indianas foi de apenas US$ 1,24\/lb.<\/p>\n<p>Depreende-se, pois, que a carne de b\u00fafalo vem sendo difundida particularmente no Oriente, atendendo um mercado consumidor de carne \u201cmagra\u201d e sendo seu principal apelo, o baixo pre\u00e7o, imagem que pela elevada escala das exporta\u00e7\u00f5es deste pa\u00eds, bem como pela forte expans\u00e3o na demanda da \u00c1frica e Oriente, pode levar a uma associa\u00e7\u00e3o de uma imagem bastante negativa \u00e0 carne bubalina produzida no continente americano.<\/p>\n<p>Um estudo do Rabobank de 2005, relaciona o aumento de renda per capita dos pa\u00edses \u00e0 uma demanda diferenciada de tipo de alimentos. Assim, regi\u00f5es muito pobres como a \u00c1frica Subsaariana, a base alimentar visa atender \u00e0 sobreviv\u00eancia, sendo representado fundamentalmente \u00a0gr\u00e3os e ra\u00edzes. Num n\u00edvel acima, por exemplo em pa\u00edses muito populosos com relativamente baixa renda per capita, a alimenta\u00e7\u00e3o busca supri-los de produtos b\u00e1sicos tais como carnes, latic\u00ednios, vegetais e frutas. Num n\u00edvel superior de renda, os consumidores buscam \u201cqualidade\u201d e se amplia o consumo de alimentos processados. J\u00e1 nos pa\u00edses mais ricos, verifica-se a crescente procura de alimentos com valores tecnol\u00f3gicos agregados tais como alimentos ditos nutrac\u00eauticos ou funcionais, os diet\u00e9ticos e os org\u00e2nicos e de menor risco potencial.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-258 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"366\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf2-300x225.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Graf2.jpg 428w\" sizes=\"(max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a partir dos pa\u00edses mais ricos e em franca dissemina\u00e7\u00e3o, se amplia a rejei\u00e7\u00e3o ao consumo de carne, particularmente \u00e0 carne vermelha associando-a por vezes quest\u00f5es de sa\u00fade ou sanit\u00e1rias tais como doen\u00e7as cardiovasculares, incid\u00eancia de neoplasias, risco de vaca-louca; por vezes a\u00a0 res\u00edduos de horm\u00f4nios e outras drogas, ou ao consumo pelos animais de alimentos que \u201cpoderiam\u201d competir com o consumo humano, como gr\u00e3os ou mesmo consumo de alimentos transg\u00eanicos com sua imagem potencialmente negativa, sem contar com as quest\u00f5es ambientais negativamente associadas \u00e0 pecu\u00e1ria tais como a defloresta\u00e7\u00e3o que causaria, seu elevado consumo de \u00e1gua e at\u00e9 mesmo o propalado aquecimento global que seria causado pelas eructa\u00e7\u00f5es dos bov\u00eddeos.<\/p>\n<p><strong>A carne bubalina e sua produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O quadro abaixo destaca algumas das diferen\u00e7as da composi\u00e7\u00e3o das carnes bovinas e bubalinas, onde se destaca o baixo teor de gorduras destas ultimas principalmente as saturadas e monoinsaturadas, consideradas de maior risco \u00e0 sa\u00fade bem como de colesterol e calorias, com um maior teor nutritivo no que diz respeito \u00e0s prote\u00ednas, vitaminas e minerais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-265 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab3-300x174.jpg\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"271\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab3-300x174.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab3.jpg 395w\" sizes=\"(max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/p>\n<p>Do ponto de vista de risco alimentar, um trabalho efetuado na It\u00e1lia, comparando o perfil lip\u00eddico da carne de b\u00fafalos com a carne de animais da ra\u00e7a marchigiana, reconhecidas por apresentarem igualmente uma carne \u201cmagra\u201d, evidenciou que os lip\u00eddeos presentes na carne bubalina apresentam uma composi\u00e7\u00e3o considerada mais saud\u00e1vel e com menor \u00edndice de aterogenicidade e trombogenicidade, ou seja, com potencial de produzir aterosclerose ou acidentes vasculares.<\/p>\n<p>Com este enfoque ainda, merece destaque um trabalho efetuado por um cardiologista italiano, Giordano, publicado na European Journal of Clinical Nutrition em 2010 em que avaliou 300 pessoas com cerca de 55 anos sendo 100 delas que consumiam regularmente carne de b\u00fafalas, 200 delas que nunca haviam comido carne da esp\u00e9cie e para 100 delas se forneceu 600g semanais de carne de b\u00fafalos durante um ano. Avaliou-se neste per\u00edodo atrav\u00e9s de avalia\u00e7\u00f5es clinicas e laboratoriais, os par\u00e2metros comumente associados ao risco de doen\u00e7as cardiovasculares. Verificou-se que os n\u00edveis de colesterol eram mais baixos nos consumidores habituais e se reduziram 13% nos novos consumidores. O chamado colesterol bom (HDL) era 42% superior no grupo de consumidores habituais, n\u00e3o se alterando com um ano de consumo. J\u00e1 os n\u00edveis de triglic\u00e9rides se reduziram 16% .<\/p>\n<p>Trabalhos com nutri\u00e7\u00e3o humana, para possu\u00edrem maior signific\u00e2ncia demandam replica\u00e7\u00f5es e envolvimento de amostragens muito maiores que as verificadas pelo autor mas, suas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importante indicador de que o consumo de carne da esp\u00e9cie traria efeitos ben\u00e9ficos na redu\u00e7\u00e3o de riscos cardiovasculares, destacando-se que drogas utilizadas na redu\u00e7\u00e3o do colesterol \u201cruim\u201d, dos triglic\u00e9rides e da eleva\u00e7\u00e3o do colesterol \u201cbom\u201d, como a Sinvastatina, tem efeito esperado similar ao observado com o simples consumo de carne de b\u00fafalos e, para se ter uma dimens\u00e3o de uma demanda neste sentido, estima-se que somente no Brasil, existiriam cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas com elevado risco cardiovascular.<\/p>\n<p><strong>Demandas e avalia\u00e7\u00e3o pelo consumidor da carne bubalina<\/strong><\/p>\n<p>Inegavelmente, a percep\u00e7\u00e3o do consumidor \u00e1 fundamental no desenvolvimento de qualquer cadeia comercial. Neste sentido, destacamos algumas pesquisas efetuadas com consumidores sobre suas demandas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carne (bovina) onde verificamos grande concord\u00e2ncia de resultados em trabalho efetuado em Botucatu-SP, em Brasilia-DF e, tamb\u00e9m nos EUA, raz\u00e3o pela qual apresentamos alguns resultados dos primeiros.<\/p>\n<p>Indagado sobre o que busca ao adquirir um corte de carne bovina, os consumidores destacaram a qualidade como principal fator motivador, relegando o pre\u00e7o a um plano bastante inferior. Lembrando que a amostra era representativa do consumidor no dia-a-dia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-259 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf3-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"279\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf3-300x193.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf3.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/p>\n<p>Buscando especificar o que na sua percep\u00e7\u00e3o representava a \u201cqualidade\u201d da carne, a resposta, conforme se observa no quadro a seguir relacionou-a \u00e0 cor vermelho (80%), \u00e0 consist\u00eancia e presen\u00e7a de pequena capa de gordura. Destaque-se aqui que n\u00e3o houve nenhuma refer\u00eancia \u00e0 associa\u00e7\u00e3o de gordura entremeada nas fibras (marmoreio) com percep\u00e7\u00e3o de qualidade, destacando-se que a base era de consumidores regulares e n\u00e3o de \u201ccarne para churrasco\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-260 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf4-300x149.jpg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"237\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf4-300x149.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf4.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><\/p>\n<p>Outro questionamento na pesquisa, era sobre quais caracter\u00edsticas o consumidor associava \u00e0 qualidade ap\u00f3s o preparo da carne. O resultado, apresentado no quadro a seguir, onde se destacam o sabor e a maciez da carne como principais atributos da carne preparada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-261 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf5-300x149.jpg\" alt=\"\" width=\"469\" height=\"233\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf5-300x149.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf5.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><\/p>\n<p>Buscando aferir as caracter\u00edsticas da carne de b\u00fafalos nhoque se refere aos aspectos destacados, apresentamos algumas observa\u00e7\u00f5es de um trabalho efetuado comparando-se a carne de nelores, de mesti\u00e7os nelore x sindi e b\u00fafalos da ra\u00e7a mediterr\u00e2neo onde se verificou, no que se refere \u00e0 intensidade de cor vermelha, que n\u00e3o havia nenhuma diferen\u00e7a entre os cortes das diferentes amostras, havendo menor intensidade de amarelo na carne bubalina, provavelmente pelo menor teor de gordura e da aus\u00eancia de caroteno.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-266 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab4-300x222.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"327\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab4-300x222.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab4.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/p>\n<p>Quanto \u00e1 maciez, aferida pela for\u00e7a de cisalhamento (for\u00e7a necess\u00e1ria para o rompimento de fibras da carne), o que se verificou foi que a carne bubalina apresentou a menor resist\u00eancia ao rompimento, ou seja, mais macia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-267 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab5-300x174.jpg\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"294\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab5-300x174.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab5.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m das propriedades objetivas, aferidas acima (intensidade da cor vermelha e maciez), um outro trabalho efetuado na Amaz\u00f4nia, buscando a aferir a percep\u00e7\u00e3o de consumidores em testes cegos sobre diversos atributos de v\u00e1rios cortes de carne bovina e bubalina preparadas a partir do abate de animais jovens bovinos e bubalinos, para os quais de atribu\u00edam \u201cnotas\u201d a cada atributo e, ao final, aferiam-se a prefer\u00eancia m\u00e9dia para uma ou outra esp\u00e9cie de cada corte considerado, observou-se o seguinte:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-268 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab6-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"356\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab6-300x219.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab6-370x270.jpg 370w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab6.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/p>\n<p>Verifica-se, pois, a predile\u00e7\u00e3o dos consumidores por alguns cortes bovinos como a picanha e alcatra e de bubalinos em cortes como fil\u00e9, contra-fil\u00e9, lagarto e costela.<\/p>\n<p>Em que pese eventuais cr\u00edticas metodol\u00f3gicas aos estudos e, combinando-se as caracter\u00edsticas que buscam o consumidor na apresenta\u00e7\u00e3o do produto, ap\u00f3s seu preparo e na percep\u00e7\u00e3o de seu consumo evidencia-se n\u00e3o haver rejei\u00e7\u00e3o objetiva alguma \u00e0 carne bubalina e, aparentemente, em certas situa\u00e7\u00f5es, destaca-se at\u00e9 mesmo alguma predile\u00e7\u00e3o pela mesma.<\/p>\n<p>Outro aspecto a se destacar \u00e9 a pequena escala de produ\u00e7\u00e3o da carne da esp\u00e9cie frente ao mercado de outras carnes, em particular a bovina. Corroborando este aspecto, efetuamos uma simula\u00e7\u00e3o do potencial de produ\u00e7\u00e3o de carne bubalina tomando como exemplo o rebanho\/mercado no estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-238 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig4-300x293.jpg\" alt=\"\" width=\"452\" height=\"441\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig4-300x293.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig4.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><\/p>\n<p>Utilizando-se a estimativa de consumo das fam\u00edlias apenas, mesmo com abate parcial de f\u00eameas, a carne bubalina produzida atenderia apenas 1,4% da demanda .<\/p>\n<p><strong>Proposi\u00e7\u00f5es sobre o posicionamento da carne bubalina<\/strong><\/p>\n<p>Do at\u00e9 agora exposto, parece claro a necessidade de uma diferencia\u00e7\u00e3o da carne bubalina da bovina e, principalmente da imagem de commodity barata que vem sendo difundida pelas exporta\u00e7\u00f5es da \u00cdndia.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de algumas caracter\u00edsticas positivas \u00e0 carne bubalina e sua dissemina\u00e7\u00e3o no inconsciente coletivo atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es com uma mensagem padronizada em todas as oportunidades talvez contribuam para sua difus\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma sugest\u00e3o seria talvez: \u201c Carne de b\u00fafalo: saborosa, saud\u00e1vel e natural\u201d<\/p>\n<p>Neste sentido, o NT Buffalo Industry Council, entidade australiana de fomento \u00e0 atividades agroindustriais, ap\u00f3s diversas pesquisas prop\u00f4s para uma difus\u00e3o da carne bubalina, a cria\u00e7\u00e3o de uma certifica\u00e7\u00e3o (criou e registrou a marca b\u00e1sica de um \u201cselo de qualidade\u201d, o \u201cTenderBuff\u201d) , e estabeleceu r\u00edgidas regras de sua produ\u00e7\u00e3o, abate e processamento (abaixo sinteticamente reproduzidas) , diferenciando um produto b\u00e1sico (jovens at\u00e9 30 meses) e um tipo \u201cpremium\u201d (animais de 250 a 375 kg) e que fosse ainda estabelecida \u201cpadroniza\u00e7\u00e3o\u201d de seu processamento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-239 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig5-300x153.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"264\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig5-300x153.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig5.jpg 549w\" sizes=\"(max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><\/p>\n<p>Como mensagem b\u00e1sica sobre as caracter\u00edsticas da carne de b\u00fafalo a ser difundida firmou: <strong>\u201cCarne de b\u00fafalos \u00e9 ideal para pessoas preocupadas com uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e que n\u00e3o abrem m\u00e3o do prazer de consumir carne vermelha\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-240 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig6-300x108.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"198\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig6-300x108.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig6.jpg 565w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/p>\n<p>De certa forma, o incipiente mercado de carne bubalina vem procurando associar mensagens neste sentido em suas veicula\u00e7\u00f5es como a observada na publicidade de BufalosBeef da Col\u00f4mbia que mostra a imagem de uma carne suculenta e o texto remete a \u201cNatural\u201d e \u201cSaud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com o site de outra empresa que processa e distribui carne de b\u00fafalos em Boituva-S\u00e3o Paulo que apresenta cortes bem preparados, apetitosos e procura destacar seu car\u00e1ter \u201csaud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-241 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig7-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig7-300x193.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig7.jpg 565w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/p>\n<p>Foco semelhante uma processadora e distribuidora por atacado em S\u00e3o Borja-RS, que apresenta a seus clientes institucionais um lote de carca\u00e7as bem acabadas e padronizadas, identificadas como b\u00fafalos:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-242 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig8-300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"455\" height=\"338\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig8-300x223.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig8.jpg 442w\" sizes=\"(max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/p>\n<p>E no material de apoio destaca os aspectos: Sabor, Sa\u00fade e maciez, al\u00e9m de mostrar imagens de cortes \u201climpos\u201d, bem avermelhados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-243 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig9-164x300.jpg\" alt=\"\" width=\"269\" height=\"492\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig9-164x300.jpg 164w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig9.jpg 264w\" sizes=\"(max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><\/p>\n<p><strong>Composi\u00e7\u00e3o de margens na cadeia de carne\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00c1rea de evidente conflito nesta cadeia certamente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o frigor\u00edfico-criador, com queixas sobre diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os com bovinos, excesso de toalete, jejum, etc e, em contra-partida os frigor\u00edficos questionando o menor rendimento de carca\u00e7a, a dificuldade de manejo e comercializa\u00e7\u00e3o do couro, entre outros.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que hoje a margem do frigor\u00edfico na comercializa\u00e7\u00e3o da carne bovina \u00e9 dependente de diversos componentes al\u00e9m do animal em si. A simples soma de cota\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o de cortes de dianteiro, traseiro e serrote somados \u00e9 usualmente inferior \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o recebida pelo produtor e, a diferen\u00e7a, coberta pela comercializa\u00e7\u00e3o de couro, sebo, mi\u00fados, derivados, sub-produtos.<\/p>\n<p>Na busca de maior efici\u00eancia do custo global, os frigor\u00edficos principalmente no Brasil Central, acabam buscando abater animais maiores, onde para um mesmo custo fixo de abate, desossa, embalagem, resfriamento e transporte, maior volume de carne \u00e9 produzida. Realidade diversa se observa no sul do Brasil e Argentina, por exemplo, onde os animais s\u00e3o abatidos usualmente mais jovens e leves o que proporciona usualmente carnes mais macias.<\/p>\n<p>Num levantamento efetuado no estado de Mato Grosso de pre\u00e7os praticados no atacado e varejo, ficou evidente que a maior composi\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o pago pelo consumidor acaba sendo absorvido pelo varejo que fica com nada menos que 65% do valor pago pelo consumidor, contra 30% do produtor e apenas 5% no frigor\u00edfico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-269 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab7-300x238.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"346\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab7-300x238.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tab7.jpg 501w\" sizes=\"(max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><\/p>\n<p>Igualmente se destaca a influ\u00eancia do segmento varejista ao se comparar o pre\u00e7o pago pelo consumidor com a remunera\u00e7\u00e3o recebida pelo pecuarista.\u00a0 Neste sentido, um acompanhamento de pre\u00e7os em Santa Maria-RS em 2007 mostrou o seguinte comportamento a cada quadrimestre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-262 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf6-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"455\" height=\"296\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf6-300x195.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/graf6.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/p>\n<p>Nota-se que no primeiro quadrimestre, enquanto o pre\u00e7o permaneceu est\u00e1vel ao consumidor, o pre\u00e7o ao produtor mostrou-se em queda. J\u00e1 no per\u00edodo de outo-inverno, apesar da queda de pre\u00e7o no varejo, a cota\u00e7\u00e3o ao produtor subiu. No \u00faltimo quadrimestre daquele ano houve correla\u00e7\u00e3o entre as duas cota\u00e7\u00f5es. Evidencia-se, pois, a inexist\u00eancia de uma exata correla\u00e7\u00e3o entre os dois pre\u00e7os que s\u00e3o em \u00faltima an\u00e1lise, controlados em parte pelos varejistas.<\/p>\n<p><strong>Produtos e Marcas<\/strong><\/p>\n<p>Fen\u00f4meno relativamente recente \u00e9 a busca de diferencia\u00e7\u00e3o de carnes bovinas atrav\u00e9s de \u201cmarcas\u201d. Algumas procuraram associar tais marcas a crit\u00e9rios objetivos tais como a ra\u00e7a de origem (Angus, Wagyu, Piemont\u00eas, etc). Outras tentam agregar valor com certa diferencia\u00e7\u00e3o tais como a certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, ou o projeto Taeg com cruzamentos com Rubia Galega espanhol, ou ainda no seu preparo como a Maturatta.<\/p>\n<p>Numa outra vertente, surgem marcas que buscam associar uma imagem positiva ao produto atrav\u00e9s do \u201clicenciamento\u201d da marca. \u00c9 o caso por exemplo da carne \u201cBassi\u201d, em que o famoso a\u00e7ougueiro e propriet\u00e1ria de renomado restaurante licencia sua marca a cortes nobres preparados e distribu\u00eddos pelo frigor\u00edfico Marfrig em que nenhuma refer\u00eancia \u00e0 origem da carne \u00e9 feita.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-244 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig10-284x300.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"435\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig10-284x300.jpg 284w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig10.jpg 378w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/p>\n<p>De forma similar, o exemplo na marca \u201cMontana\u201d, tamb\u00e9m processada pelo mesmo Marfrig e licenciada pela dupla de cantores sertanejos Chit\u00e3ozinho e Xoror\u00f3, sem nenhuma tradi\u00e7\u00e3o do mercado de carne e que tamb\u00e9m n\u00e3o apresenta na descri\u00e7\u00e3o do produto nenhuma refer\u00eancia\u00a0 \u00e0 origem ou caracter\u00edsticas dos animais com os quais s\u00e3o produzidos tais cortes.<\/p>\n<p>Certamente os produtos devem seguir um crit\u00e9rio pr\u00e9-estabelecido de tipos de animais utilizados, cortes, formas preparo etc, mas tais propriedades parecem n\u00e3o ser o foco explicitado ao consumidor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-245 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig11-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"507\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig11-206x300.jpg 206w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig11.jpg 274w\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia destas marcas fica patente ao se analisar as ofertas num site da internet de delivery que anunciava os de cortes de picanha (que fora padronizados por kg)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-246 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig12-300x234.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"360\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig12-300x234.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig12.jpg 428w\" sizes=\"(max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><\/p>\n<p>Nota-se que, enquanto a pe\u00e7a \u201csem marca\u201d era vendida por R$ 26,01\/kg, os cortes \u201ccom marca\u201d eram vendidos pelo dobro ou mais, sendo R$ 56,24 a picanha \u201cMontana\u201d e R$ 72,44 a picanha Bassi\u201d. Al\u00e9m da marca, qual seria efetivamente a diferen\u00e7a entre elas ? Notar ainda que alguns aspectos associados tamb\u00e9m emprestaram valor tal como a men\u00e7\u00e3o de \u201cimportada\u201d que permitiu que a picanha mesmo que \u201ccongelada\u201d tivesse elevado valor ou ainda a associa\u00e7\u00e3o ao termo \u201corg\u00e2nica\u201d que valorizou expressivamente o corte.<\/p>\n<p>Interessante notar que, ainda que o esfor\u00e7o na divulga\u00e7\u00e3o da carne de b\u00fafalos em nosso meio, a mesma traz em si uma imagem bastante positiva, como se depreende da oferta efetuada por um site de delivery de carnes, onde diversos cortes de contrafil\u00e9 eram oferecidos com pre\u00e7os variando entre R$ 19,47 para uma por\u00e7\u00e3o sem identifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 R$ 30,47 por um corte maturado e, no mesmo momento, o corte embalado \u00e0 v\u00e1cuo de corte de b\u00fafalo da Cowpig era vendido a pre\u00e7os similares ao maturado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-247 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig13-300x234.jpg\" alt=\"\" width=\"454\" height=\"354\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig13-300x234.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig13.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/p>\n<p>E, quando apresentado num corte especial, o Prime Rib, sua cota\u00e7\u00e3o atingiu mais de 40%<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-248 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig14.jpg\" alt=\"\" width=\"136\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p>De forma similar, um outro comerciante virtual de carne, distribu\u00eddos de cortes de Angus, reconhecidamente uma ra\u00e7a que produz carne de excelente qualidade, apresentava as ofertas abaixo:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-249 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig15-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"407\" height=\"304\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig15-300x224.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig15.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/p>\n<p>Note-se que, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da costela, os demais cortes apresentavam cota\u00e7\u00f5es iguais ou significativamente maior para a carne bubalina.<\/p>\n<p>Estes exemplos nos d\u00e3o conta que as eventuais diferen\u00e7as havidas entre os produtores e frigor\u00edficos s\u00e3o relativamente pequenas diante do potencias de agrega\u00e7\u00e3o de valores que adviriam da ado\u00e7\u00e3o de um programa adequado de marketing da carne da esp\u00e9cie envolvendo todas as etapas da cadeia, o que n\u00e3o deve ser confundido com simples propaganda. Mais ainda ao se notar que quando convenientemente preparada, j\u00e1 possuem uma certa aceita\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea como se depreende das cota\u00e7\u00f5es ofertadas.<\/p>\n<p><strong>Sistemas de Organiza\u00e7\u00e3o da Cadeia da Carne<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Outro aspecto que nos parece relevante \u00e9 a forma que se apresentam a organiza\u00e7\u00e3o de certos segmentos desta cadeia.<\/p>\n<p>No sistema convencional \u00e9 efetuada a compra de animais acabados no mercado pelos frigor\u00edficos, diretamente ou atrav\u00e9s de intermedi\u00e1rios. Neste sistema usualmente \u00e9 imposto ao produtor algum tipo de des\u00e1gio maior ou menor de acordo com a regi\u00e3o e com pequena frequ\u00eancia, s\u00e3o apartados alguns cortes particularmente de cortes \u201cnobres\u201d que s\u00e3o ofertadas como b\u00fafalos.<\/p>\n<p>Um sistema alternativo \u00e9 a verticaliza\u00e7\u00e3o total (ou preferencial), com o produtor abatendo e processando a carne de seus animais e comercializando os cortes no mercado, complementando eventualmente com a aquisi\u00e7\u00e3o de animais de terceiros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-250 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig16-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"235\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig16-300x169.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig16.jpg 556w\" sizes=\"(max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><\/p>\n<p>Estes s\u00e3o alguns exemplos de sistemas com verticaliza\u00e7\u00e3o preferencial e, at\u00e9 onde eu tenha conhecimento, tais modelos n\u00e3o se sustentaram no Brasil, sendo que o produtor Venezuela possui um rebanho muito grande e o da Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m com grande rebanho, mantem um ciclo mais extenso chegando a produzir hamb\u00farguer e comercializa-los em lanchonetes pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Outra abordagem da cadeia \u00e9 o processamento da carne, como j\u00e1 apontado no exemplo na Venezuela (Bufalo Sentao), acima \u00e0 direita e outros exemplos\u00a0 como na It\u00e1lia (acima \u00e0 esquerda), a produ\u00e7\u00e3o de embutidos (lingui\u00e7as) pela Cooperbufalo do RS abaixo \u00e0 esquerda ou a opera\u00e7\u00e3o na Argentina do La Filiberta que produz embutidos e exporta para casas comerciais na Alemanha.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-251 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig17-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"262\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig17-300x169.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig17.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/p>\n<p>Bastante conhecida no Brasil \u00e9 a estrutura\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Cooperativa de Produtores (Cooperbufalo no RS), que opera coordenando toda a cadeia, negociando cortes c\u00e1rneos para varejistas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-252 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig18-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"250\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig18-300x168.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig18.jpg 552w\" sizes=\"(max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/p>\n<p>Outra forma de abordagem, particularmente em fun\u00e7\u00e3o de uma baix\u00edssima escala de produ\u00e7\u00e3o tem, por exemplo, a ra\u00e7a japonesa de Kobe, a Wagyu, que produz uma carne bastante macia mas com enorme quantidade de gordura entremeada o que, para os padr\u00f5es usuais do consumidor resultaria em ampla rejei\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-253 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig19.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"230\" \/><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia utilizada foi de cria\u00e7\u00e3o de uma parceria com conhecida churrascaria no Brasil, o Rubayat, que a incluiu em seu card\u00e1pio e promoveu seu consumo junto a uma clientela de maior poder aquisitivo, impulsionando a comercializa\u00e7\u00e3o em canais especializados e a um pre\u00e7o de 5 a 10 vezes mais caro que os cortes similares de outras ra\u00e7as bovinas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-254 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig20-300x143.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"205\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig20-300x143.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig20.jpg 402w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/p>\n<p>Em menor escala, se verifica um exemplo similar na Costa Rica, onde um produtor local abate, processa e prepara a carne em seu restaurante onde tamb\u00e9m comercializa cortes congelados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-255 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig21-300x227.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"323\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig21-300x227.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig21.jpg 571w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/p>\n<p>Outra abordagem s\u00e3o parcerias entre distribuidores e produtores visando o atendimento de nichos espec\u00edficos. Um exemplo foi a associa\u00e7\u00e3o da Fazenda Ibirocay de Uruguaiana-RS com uma \u201cgrife\u201d de carne, a Wessel, que produzia cortes especiais a partir de terneiros rec\u00e9m desmamados, com a cria\u00e7\u00e3o da marca Baby Bufalo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-256 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig22-300x275.jpg\" alt=\"\" width=\"364\" height=\"334\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig22-300x275.jpg 300w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fig22.jpg 330w\" sizes=\"(max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Gerais<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o e consumo de carne no mundo \u00e9 crescente, particularmente nos pa\u00edses com maior crescimento do PIB per capita e boa parte deste aumento vem sendo atendido com carne de b\u00fafalos produzidas na \u00cdndia, muito mais pelo seu baixo pre\u00e7o do que por qualidade. A expans\u00e3o desta imagem para o Ocidente certamente resultar\u00e1 num impacto muito negativo neste\u00a0 mercado.<\/p>\n<p>Uma forma de se contrapor a isto \u00e9 efetivamente passar a produzir um produto com diferencia\u00e7\u00e3o suficiente que permita ao consumidor emprestar ao mesmo uma imagem diferenciada da carne bovina. Aparentemente, mesmo que com cortes mais nobres, se tem verificado que a esp\u00e9cie goza de bom conceito junto ao consumidor, que parece disposto a pagar melhor por isto como se verifica em algumas iniciativas comerciais.<\/p>\n<p>Inegavelmente h\u00e1 indicadores que apontam a carne de b\u00fafalo com caracter\u00edsticas que permitem enquadr\u00e1-las como \u201cfuncionais\u201d e saud\u00e1veis, desta forma, atender aos anseios de parcela da popula\u00e7\u00e3o de melhor poder aquisitivo que buscam alimentos com valores agregados.<\/p>\n<p>Como se apontou, desde que provenientes de animais jovens e bem terminados, produzem cortes que teriam boa aceita\u00e7\u00e3o pelos consumidores.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es de escala, como se viram alguns exemplos, poderiam ser contornadas com uma abordagem diversa das cadeias convencionais de carne bovina.<\/p>\n<p>Uma mensagem uniforme sobre o produto, bem como a elabora\u00e7\u00e3o de produtos atrav\u00e9s de padroniza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de abate, processamento e matura\u00e7\u00e3o, com direcionamento espec\u00edfico na aten\u00e7\u00e3o das expectativas literalmente expressas pelo consumidor no dia-a-dia, bem como certificar tais produto poderiam talvez representar uma diferencia\u00e7\u00e3o expressiva e associa\u00e7\u00e3o bastante positiva.\u00a0Um mote geral talvez devesse ressaltar o \u201csaud\u00e1vel, saboroso e natural\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que se organizem de formas diversas as cadeias, a ado\u00e7\u00e3o de uma mensagem geral e produtos uniformes poderiam ser de valia.\u00a0A cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cmarca\u201d da esp\u00e9cie e preservar seu padr\u00e3o poderiam agregar valor expressivo aos produtos que atendam a tal\u00a0 padr\u00e3o e sejam certificados por isso.\u00a0Como se comentou no in\u00edcio, n\u00e3o se tem, ainda, as respostas corretas , mas quem sabe, comecemos a elaborar as perguntas adequadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>XVI Expo Oto\u00f1o \u2013Corrientes-Argentina (23\/04\/2016) No Brasil e em boa propor\u00e7\u00e3o em toda a Am\u00e9rica, a maior parte dos bubalinos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/272"}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=272"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":277,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/272\/revisions\/277"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}