{"id":208,"date":"2020-08-03T09:30:11","date_gmt":"2020-08-03T12:30:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=208"},"modified":"2020-08-03T09:40:48","modified_gmt":"2020-08-03T12:40:48","slug":"verticalizacao-na-bubalinocultura-leiteira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=208","title":{"rendered":"Verticaliza\u00e7\u00e3o na bubalinocultura leiteira"},"content":{"rendered":"<p><em>Por&nbsp;<strong>Otavio Bernardes,&nbsp;<\/strong>bubalinocultor<br \/>\nPublicado originalmente em <a href=\"https:\/\/www.milkpoint.com.br\/colunas\/associacao-brasileira-de-criadores-de-bufalos\/verticalizacao-na-bubalinocultura-leiteira-220852\/\">Milkpoint<\/a>&nbsp; em 30\/07\/2020<\/em><\/p>\n<p><em><br \/>\n<\/em><em><\/em><\/p>\n<p>Levantamentos efetuados em todo o mundo indicam que a maior parte do leite bovino produzido \u00e9 n\u00e3o mais consumido na forma fluida (pasteurizado ou UHT), sendo mais de 2\/3 dele pulverizado, condensado ou transformado em latic\u00ednios, o que torna relevante seu conte\u00fado de s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>Neste particular,&nbsp;<strong>o leite de b\u00fafalas,<\/strong>&nbsp;que possui grande varia\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o dos locais e modelos de explora\u00e7\u00e3o, apresenta, relativamente ao bovino, elevado teor de s\u00f3lidos \u2013 usualmente mais que 50%. Sendo o rendimento da produ\u00e7\u00e3o de latic\u00ednios fun\u00e7\u00e3o principalmente do teor de prote\u00edna e gordura do leite, verifica-se na produ\u00e7\u00e3o de queijos frescos, como o minas frescal e a mu\u00e7arela em bolas, um rendimento superior a 80% com uso do leite de b\u00fafalas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, o leite de b\u00fafalas agrega ainda caracter\u00edsticas particulares, tais como o elevado teor de \u00f4mega 3, melhor rela\u00e7\u00e3o \u00f4mega 6: \u00f4mega 3, menor teor de colesterol, maior concentra\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio, ferro, f\u00f3sforo e vitaminas, al\u00e9m de que a esp\u00e9cie produz apenas a case\u00edna A2, o que confere ao produto, al\u00e9m de elevada qualidade nutricional, caracter\u00edsticas de not\u00e1vel funcionalidade.<\/p>\n<p>Produtos elaborados com leite de b\u00fafalas t\u00eam alcan\u00e7ado cota\u00e7\u00f5es no mercado significativamente superiores, tanto na tradicional mu\u00e7arela em bolas, como para produtos tradicionalmente elaborados com leite bovino,&nbsp;como a ricota, o requeij\u00e3o cremoso, queijos tipo minas frescal, entre outros.&nbsp;<strong>O mix de produtos elaborados com o leite bubalino vem se ampliando<\/strong>, abrangendo hoje boa parte dos&nbsp;derivados elaborados com leite bovino, entre eles&nbsp;manteiga, requeij\u00e3o marajoara, provolone, queijo coalho, iogurtes, coalhada, creme de leite, ricota, curados, etc.<\/p>\n<p>Ilustrando a cadeia, em 2016, enquanto o produtor de leite bubalino recebia R$ 2,00 por litro de leite, a ind\u00fastria o transformava em mussarela consumindo cerca de 6 litros por kg produzido e o revendia aos varejistas por cerca de R$ 36, o que representava R$ 6,00 por litro processado. O varejo, por sua vez, vendia o produto por cerca de R$ 72, o que resultava em cerca de R$ 12,00 por litro. Analisando a mesma cadeia na It\u00e1lia, por exemplo, onde o rendimento industrial \u00e9 maior em fun\u00e7\u00e3o principalmente do maior teor de s\u00f3lidos do leite de b\u00fafalas ali produzido, a distribui\u00e7\u00e3o na cadeia era mais favor\u00e1vel ao produtor. O gr\u00e1fico abaixo ilustra a participa\u00e7\u00e3o de&nbsp; cada participante no pre\u00e7o pago pelo produto final no Brasil e na It\u00e1lia:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.milkpoint.com.br\/img\/artigo\/conteudo\/79415\/\" width=\"567\" height=\"202\"><\/p>\n<p>No Brasil, a maior parte dos estabelecimentos industriais s\u00e3o gerenciados por produtores de leite que passaram a processar seu&nbsp;leite e a adquirir de produtores do entorno. Usualmente, distribuem sua produ\u00e7\u00e3o por meio de canais convencionais de varejo. A elevada concentra\u00e7\u00e3o empresarial cria situa\u00e7\u00f5es de extrema desigualdade nas negocia\u00e7\u00f5es, de modo que a margem do varejo e obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias penalizam as industrias, cuja baixa escala tem por resposta o achatamento relativo de pre\u00e7os pagos pela mat\u00e9ria prima aos produtores.<\/p>\n<p>O mercado de latic\u00ednios \u00e9 crescente no Brasil, atingindo 9,4% de crescimento ao ano em volume e de 7,4% ao ano em faturamento entre 2006 e 2017. Dados do IBGE (POF) apontam que as fam\u00edlias com renda inferior a 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos consumiram R$ 6,7 bilh\u00f5es ao ano, enquanto que as fam\u00edlias com renda superior consumiram R$ 5,2 bilh\u00f5es e, levando em considera\u00e7\u00e3o as diferen\u00e7as de consumo regionais e o&nbsp;n\u00edvel de renda, o mercado de latic\u00ednios tem ampla demanda.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de derivados de leite de b\u00fafalas, verifica-se uma&nbsp;<strong>maior concentra\u00e7\u00e3o junto aos grandes centros consumidores&nbsp;<\/strong>e uma quase que aus\u00eancia de oferta em muitas regi\u00f5es do pa\u00eds e em cidades mesmo com porte razo\u00e1vel e com potencial de demanda.<\/p>\n<p>O advento da&nbsp;<strong>pandemia da&nbsp;Covid-19<\/strong>, com desarticula\u00e7\u00e3o acentuada de alguns segmentos, em particular o chamado \u201choreca\u201d, com a redu\u00e7\u00e3o do consumo em determinadas pra\u00e7as resultou numa resposta vari\u00e1vel da ind\u00fastria, com algumas fazendo estoques, outras interrompendo suas atividades, outras ainda, reduzindo o n\u00famero de fornecedores e algumas reduzindo a remunera\u00e7\u00e3o paga, resultando em forte impacto no segmento dos produtores. Por outro lado, a mesma pandemia fez florescer ainda mais rapidamente canais alternativos de promo\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e meios de pagamento numa velocidade nunca vista, alterando papeis antes exclusivos de determinados agentes. Neste quadro, vimos ind\u00fastrias que chegaram a encerrar suas atividades e no outro extremo, algumas que aumentaram suas vendas.<\/p>\n<p>Esta realidade destacou aos produtores sua extrema depend\u00eancia da atividade dos mercados e estrat\u00e9gias de distribui\u00e7\u00e3o das unidades industriais implantadas em suas regi\u00f5es e, a exemplo do que ocorre na It\u00e1lia, onde \u00e9 bastante comum que&nbsp;<strong>produtores de leite verticalizem sua produ\u00e7\u00e3o total ou parcialmente<\/strong>, e a comercializem diretamente seus produtos atendendo demandas locais.<\/p>\n<p>Tratando-se de um produto de nicho (apenas 1,12% dos latic\u00ednios s\u00e3o produzidos com leite da esp\u00e9cie), muitas alternativas se apresentam hoje aos produtores que podem, isolada ou coletivamente, processar todo ou parte de sua produ\u00e7\u00e3o, diretamente ou terceirizando para unidades industriais j\u00e1 implantadas, elaborando produtos finais ou semielaborados (como a massa congelada), utilizando canais convencionais de distribui\u00e7\u00e3o (distribuidores\/varejistas), ou promovendo a venda direta de seus produtos atrav\u00e9s das novas ferramentas de log\u00edstica e distribui\u00e7\u00e3o e divulgando seus produtos por canais mais acess\u00edveis como os digitais. Enfim, transformando a atual crise em oportunidade de rever seu neg\u00f3cio, buscando melhor distribuir a renda na cadeia, reduzir o pre\u00e7o final dos produtos, ampliando o mercado e buscando maior estabilidade \u00e0 sua atividade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Otavio Bernardes,&nbsp;bubalinocultor Publicado originalmente em Milkpoint&nbsp; em 30\/07\/2020 Levantamentos efetuados em todo o mundo indicam que a maior parte do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/208"}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=208"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":212,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions\/212"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}