{"id":157,"date":"2020-01-01T12:40:15","date_gmt":"2020-01-01T14:40:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=157"},"modified":"2020-01-01T12:42:32","modified_gmt":"2020-01-01T14:42:32","slug":"consideracoes-sobre-a-cadeia-do-leite-de-bufalas-agosto-2019","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/?p=157","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre a cadeia do leite de b\u00fafalas (agosto\/2019)"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"189\" height=\"326\" src=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/leite_box.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-159\" srcset=\"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/leite_box.jpg 189w, http:\/\/blog.ingai.agr.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/leite_box-174x300.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 189px) 100vw, 189px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nos anos 1980 engatinhava a produ\u00e7\u00e3o de derivados de leite de\nb\u00fafalas no Estado de S\u00e3o Paulo, enquanto o mercado de leite bovino era\ntotalmente controlado pelo Estado que \u201ctabelava\u201d os tipos de leite ent\u00e3o\nexistentes (A, B e C) e o famigerado leite em p\u00f3 importado reconstitu\u00eddo que\nassegurava ao produtor uma press\u00e3o de baixa em seu produto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas principais nascentes latic\u00ednios de S\u00e3o Paulo de\nent\u00e3o, B\u00fafalo Dourado em Dourado, Valedoro em Registro e Paineiras em Sarapu\u00ed\nprocessando o pequeno volume de leite de b\u00fafalas ent\u00e3o dispon\u00edvel, come\u00e7ara a\nse defrontar com um a impossibilidade de atender \u00e0 crescente demanda dos\nderivados pela aus\u00eancia de mat\u00e9ria prima que, em parte, come\u00e7ava a ser suprida\npor produtos elaborados com o depreciado leite bovino, aproveitando-se da\nignor\u00e2ncia do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Os propriet\u00e1rios destes estabelecimentos, em uma reuni\u00e3o na\nsede da ABCB resolveram, ent\u00e3o estimular a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima, pactuando\nque remunerariam o produtor pelo menos pelo dobro ent\u00e3o pago pelo leite bovino\ntipo C, al\u00e9m de iniciar uma ofensiva tentando divulgar ao mercado as diferen\u00e7as\nentre derivados elaborados com leite das duas esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se sabe, os anos 90 constataram a efici\u00eancia daquela a\u00e7\u00e3o,\ncom um aumento crescente na oferta de leite bubalino&nbsp; e multiplica\u00e7\u00e3o de estabelecimentos\nprocessando este leite de tal sorte que o rebanho paulista passou de cerca de\n50 mil animais ao final dos anos 90 para quase 100 mil em 2016, j\u00e1 o terceiro\nrebanho do pa\u00eds e, das poucas centenas de milhares de litros anuais\ndisponibilizados estima-se em 2016 uma oferta de 22 milh\u00f5es de litros de leite\nproduzidos anualmente em terras paulistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira d\u00e9cada do novo s\u00e9culo despertou nos mineiros,\ntradicionais produtores de leite bovino, o interesse na esp\u00e9cie e o rebanho\nbubalino naquele Estado praticamente triplicaram, passando de 22 para mais de\n60 mil animais em 2016, estimando-se uma produ\u00e7\u00e3o de mais 13 milh\u00f5es de litros\nde leite de b\u00fafalas anualmente, infelizmente ainda sem um crescimento sim\u00e9trico\nda ind\u00fastria regional de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O forte desarranjo pol\u00edtico e econ\u00f4mico por que v\u00eam&nbsp; atravessando o pa\u00eds, com um j\u00e1 longo per\u00edodo\nde estagna\u00e7\u00e3o em que mais de 14 milh\u00f5es de pessoas se encontram desempregadas e\noutro tanto subempregadas, em que o PIB n\u00e3o avan\u00e7a, vem apresentando sua conta\ntamb\u00e9m ao setor, com redu\u00e7\u00e3o nas vendas de derivados nos canais usualmente\nutilizados, com acirramento da concorr\u00eancia, por vezes predadora; com a\nevidencia\u00e7\u00e3o de algumas inefici\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, na ind\u00fastria da\ntransforma\u00e7\u00e3o e, principalmente, no desequil\u00edbrio das margens dentro da cadeia,\ncom claro favorecimento dos canais de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente temos\nvisto alguns movimentos de significativos \u201cplayers\u201d do setor que, no sentido de\nbuscar assegurar suas margens ou, por vezes sua sobreviv\u00eancia em modelos\noperacionais em que sentem seguran\u00e7a&nbsp;\nque, para tanto, come\u00e7am a romper la\u00e7os comerciais de longa data com\nprodutores, seja aviltando pre\u00e7os, seja simplesmente abandonando bacias\nprodutoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu turno, vemos\nprodutores e mesmo regi\u00f5es produtoras absolutamente impotentes diante de\nnot\u00edcias que d\u00e3o conta que em alguns dias sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 destino algum\nou que sofrer\u00e1 significativa deprecia\u00e7\u00e3o, sem nenhuma indica\u00e7\u00e3o de que se trate\nde solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria ou emergencial, pelo contr\u00e1rio, com expressiva indica\u00e7\u00e3o\nque se trata de uma tentativa de \u201cenxugar\u201d mercado para assegurar\nmargens\/sobrevida, como se depreende de algumas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive noticia de produtores\nque disponibilizam o leite hoje pelo manipulado pre\u00e7o do leite bovino; de\nregi\u00e3o com oferta de mais de 2 milh\u00f5es de litros anuais que, de uma hora para\noutra foi informada que seu produto n\u00e3o seria mais recolhido tendo em vista a\nabundancia de mat\u00e9ria primas no mercado a valores baixos valores. Outra regi\u00e3o\nonde se investiu em material gen\u00e9tico,&nbsp;\nuso de insumos e qualidade do produto constatou que o aumento de sua\nprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 coloca\u00e7\u00e3o. Por outro lado, ouvi relatos de latic\u00ednios\nfortemente estocados, de pra\u00e7as em que fabricantes vem praticando concorr\u00eancia\npredat\u00f3ria, de forte queda de demanda, etc. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se nos anos\n80-90 os 3 latic\u00ednios buscavam mat\u00e9ria prima para atender o mercado, a\napar\u00eancia hoje, em que pese a produ\u00e7\u00e3o do leite da esp\u00e9cie ser de apenas 0,15%\nda produ\u00e7\u00e3o de leite bovino, o atual arranjo mercadol\u00f3gico existente, parece\ndar sinais de esgotamento diante da retra\u00e7\u00e3o do consumo. Ser\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p>Significativo\ncomponente do custo industrial no processamento de derivados de leite de b\u00fafalas,\nparticularmente diante do relativamente pequeno porte dos estabelecimentos\nindustriais no setor \u00e9 representado por custos fixos tais como os relacionados\n\u00e0 infraestrutura, ao pessoal e a log\u00edstica, entre outros, elementos que nos\nestabelecimentos que optaram pela redu\u00e7\u00e3o de volume, certamente ter\u00e3o seus\ncustos ainda mais pressionados.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 aqueles que optaram\npor uma realinhamento para baixo nos pre\u00e7os da mat\u00e9ria prima que hoje\nrepresentam em m\u00e9dia 25-35% do custo total do produto ou, 15-20% do pre\u00e7o final\npago pelo consumidor certamente estar\u00e3o for\u00e7ando o produtor ou a ter mais\nefici\u00eancia (o que n\u00e3o se obt\u00e9m de uma hora para outra) ou, o mais prov\u00e1vel, que\nbusque outras alternativas na explora\u00e7\u00e3o da propriedades.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, ap\u00f3s o\ndesarranjo da cadeia, em havendo reaquecimento da demanda, como seria uma retomada?\nO relativamente longo ciclo de produ\u00e7\u00e3o leiteira de b\u00fafalas envolve para sua\nexpans\u00e3o necessidade de constru\u00e7\u00e3o ou readequa\u00e7\u00e3o de infraestrutura apropriada\nal\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de matrizes que num ciclo natural de pelo menos 5 anos nos d\u00e1\nconta que&nbsp; neste cen\u00e1rio&nbsp; mesmo que se restabele\u00e7a a confian\u00e7a perdida\nentre produtor-ind\u00fastria, que se realinhem pre\u00e7os ou est\u00edmulos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, ser\u00e1\nnecess\u00e1rio um prazo expressivo para se recompor a capacidade operacional e que,\nse demanda houver e se imagine que a escassez relativa possa reverter em\nvaloriza\u00e7\u00e3o do produto, talvez se deva ponderar que a capacidade do varejo em\nabsorver para si sobrevaloriza\u00e7\u00f5es \u00e9 muito grande e que o produto (bolinha no\nsoro, por exemplo), tem pre\u00e7o FOB de 8-9&nbsp;\neuros (R$ 32-R$36) o que, em que pese os custos de log\u00edstica, podem\nestimular importa\u00e7\u00f5es ou mesmo introdu\u00e7\u00e3o do produto misto (ali\u00e1s, aposta de\nalguns fabricantes)<\/p>\n\n\n\n<p>Obvio que cada um sabe onde lhe d\u00f3i o calo e que tudo o que foi dito por aqui n\u00e3o passe de mera conjectura. A inten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, era de que se ponderassem se a preserva\u00e7\u00e3o da cadeia n\u00e3o seria um elemento importante a ser inclu\u00eddo nesta equa\u00e7\u00e3o neste momento e se n\u00e3o seria relevante a cria\u00e7\u00e3o neste momento de um canal de di\u00e1logo \u201cfranco\u201d antes que as portas se fechem.<br><br> Reporto-me \u00e0queles anos pioneiros onde a constata\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia era de que o pre\u00e7o de leite de b\u00fafalas mais caro era n\u00e3o ter leite para atender \u00e0 demanda&#8230;.  (09\/08\/2019 ) <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos 1980 engatinhava a produ\u00e7\u00e3o de derivados de leite de b\u00fafalas no Estado de S\u00e3o Paulo, enquanto o mercado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[8],"tags":[16],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/157"}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=157"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":160,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions\/160"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.ingai.agr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}